O Brasil firmou a sua liderança na sétima solicitação de informações do Carbon Disclosure Project. Segundo a organização internacional, que fomenta a mensuração, 72 empresas brasileiras respondem ao questionário que contempla emissões em toda a cadeia produtiva
O percentual relativo de respostas das empresas brasileiras ao CDP em 2009 foi de 78%, inferior ao de 83% da edição passada, porém superior ao de 66%, registrado na primeira edição nacional de 2006.
O índice percentual de respostas registrado no Brasil só foi inferior ao do Reino Unido (95%), país de concepção do próprio projeto; da Europa (82%) e à média Global (81%).
Entre os BRICs, a liderança brasileira é ainda mais nítida, aponta o documento. Na Rússia 13% das empresas responderam ao questionário do CDP, na Índia 18% e na China 10%.
No entanto, o relatório do CDP reforça que, apesar da alta participação das organizações brasileiras, as respostas ainda oscilam entre uma boa compreensão e uma inserção incipiente da governança climática no core business das empresas respondentes.
Os brasileiros e o clima
O Grupo HSBC divulgou, no início de novembro, em todo mundo, os resultados da pesquisa HSBC Climate Confidence Monitor 2009, realizada anualmente em 12 países.
Foram 12.000 entrevistados da Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, Malásia, México, Reino Unido e Estados Unidos. Entre os principais resultados globais, destacam-se a preocupação com o clima - que ainda é muito forte apesar de seu arrefecimento diante da crise econômica - e o engajamento de indivíduos visando reduzir, pessoalmente, suas emissões de carbono.
Segundo dados do documento, 86% dos entrevistados no Brasil consideram importante o acordo de Copenhague. Em seguida vem o México, com 83% e a China, com 75%. O índice mais baixo foi o dos Estados Unidos, onde apenas 45% da população acredita na importância de um acordo global para frear o aquecimento. Dentre os brasileiros, 51% acredita ainda que deverá haver uma tentativa de superação da meta de reduções atual.
Novidade para a produção de energia eólica
Uma nova tecnologia promete revolucionar a produção de energia eólica: a “Kite Gen”, em tradução literal para o português “Gene da Pipa”. Essa tecnologia desenvolvida por uma empresa italiana difere do método convencional para geração de energia a partir do vento, pois é capaz de atingir um campo muito mais amplo de captação. As turbinas eólicas tradicionais não podem, por exemplo, alcançar altitude mais elevadas, enquanto as pipas atingem de
O projeto da “Kite Gen” também propõe uma mudança radical na atual concepção das plantas de energia eólica. Ao invés das pesadas e estáticas turbinas de vento tradicionais, a nova tecnologia traz peças mais leves e dinâmicas. As pipas de energia possuem folhas de metal semi-rígidas, enquanto, no chão, é mantida toda estrutura pesada. Para conectar os dois sistemas, linhas de alta resistência sustentam as pipas e ao mesmo tempo controlam seu ângulo e direção no vento.
A Kite Steering Unit (KSU) é a unidade que pilota automaticamente uma pipa de energia ou um conjunto delas em uma área pré-definida. Cada planta de energia da “Kite Gen” é composta por diversas KSUs no nível do solo, onde um software recebe dados de sensores e maneja de forma independente as pipas de energia, de tal forma que seus modelos podem ser controlados, sincronizados e direcionados para maximizar a produção a partir do vento.
O protótipo da pipa foi construído em 2006 e testado com sucesso; o primeiro sistema em grande escala é um gerador de 3MW instalado em Asti, na Itália, que deve começar a operar no final de 2009.
Embalagem biodegradável
O Grupo Bimbo, de origem mexicana, por meio da marca Nutrella, lançou uma nova linha de pães (Nutrella Vitta Natural 100% Integral) que conta com embalagem 100% degradável.
Para sua elaboração, foi incorporado um aditivo pró-degradante durante o processo de fabricação para romper as cadeias moleculares do plástico e acelerar a degradação ao término de sua vida útil. A empresa é a primeira do setor alimentício a utilizar esse tipo de embalagem, que se desintegra entre três e cinco anos após o descarte – e não altera as características dos produtos, de acordo com a companhia.
Os pães da linha citada são feitos exclusivamente com farinha de trigo integral e sem adição de conservantes, denominados assim de “industrializados naturais“. A empresa também trabalha com ingredientes exclusivos como o açúcar demerara orgânico (feito da cana de açúcar orgânica, através de um processo de centrifugação) e o óleo de girassol.
Soluções em eficiência energética
A Evonik, uma das líderes mundiais em especialidades químicas, apresentou, recentemente, soluções para eficiência energética no documento "21 Amazing Answers to the Next Big Thing: Energy Efficiency" (21 Respostas Incríveis para a Grande Questão: Eficiência Energética).
A empresa investe mais de € 300 milhões por ano nessa área e mantém cerca de 350 parcerias com universidades em diversos países para pesquisa e desenvolvimento.
Em conjunto com a Daimler, por exemplo, a Evonik, pesquisa baterias de alta tecnologia para veículos de passeio e utilitários, que podem dispensar os tradicionais motores de combustão. Os especialistas em automóveis de ambas as empresas estão elaborando uma tecnologia de baterias de lítio-íon, cuja aplicação hoje restringe-se a pequenos aparelhos, como laptops e telefones celulares. O empecilho para expansão do seu uso em automóveis se dá devido a sua tendência de superaquecimento. No entanto, a Evonik conseguiu superar esse obstáculo mediante o desenvolvimento de um separador para baterias desse tipo que possui um revestimento cerâmico especial. Esse componente aumenta as chances de popularização dos veículos elétricos, uma vez que - em conjunto com outros componentes - guarnece essas baterias de uma capacidade até agora desconhecida. Testes de larga escala já estão sendo conduzidos com frotas veiculares elétricas nas cidades européias. É esperar para ver.
No início de novembro, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, confirmou a proposta brasileira a ser levada à Conferência de Copenhague: redução de cerca de 40% na emissão de gases de efeito estufa até 2020. As reduções são projetadas a partir dos níveis de emissão a que chegaríamos em 2020 se nenhuma ação fosse tomada.
Desse total, 20% deverá estar relacionado à diminuição do desmatamento na Amazônia e 20% à ações de preservação do Cerrado, iniciativas para promover a eficiência energética, uso do aço verde (produzido a partir de carvão vegetal do reflorestamento) e de biocombustíveis, entre outras medidas. Ainda é preciso estabelecer quanto deve ser cortado em cada setor, de que forma e com quais recursos.
Segundo o ministro, o país não deixará de criar empregos, e sim passará a desenvolver novos postos com um direcionamento voltado para uma economia mais sustentável, os chamados empregos verdes.
Cientistas afirmam que as nações ricas com histórico de degradação do meio ambiente, como os Estados Unidos, precisam cortar suas emissões por volta de 25-40% em 2020 na comparação com os níveis de 1990, mas as ofertas na mesa de negociação estão longe disso.
Já as nações mais pobres precisam cortar suas emissões de 15-30% em 2020 comparado aos negócios atuais. Segundo a imprensa internacional, é esperado que os negociadores brasileiros anunciem planos para frear o desmatamento em 80% em 2020.
Oportunidade em TI verde
O relatório From ”Green IT” to “Greening with IT” (De esverdear o TI para Se tornar verde com o TI) produzido pela organização World Wildlife Fund (WWF) em uma iniciativa conjunta com a HP - aponta como a Tecnologia da Informação pode auxiliar a reduzir emissões de gases de efeito estufa. Confira a seguir algumas conclusões do estudo para políticas concretas de empresas provedoras de TI que resultem em sustentabilidade na área.
-Revelar a própria economia de CO2 em soluções de TI de baixo carbono para gerar credibilidade entre os clientes
-Criar grupos de liderança e suporte independente para monitorar as soluções de baixo carbono
-Produzir um catálogo de soluções de baixo carbono atualizado regularmente
-Engajar de modo pró-ativo e sugerir mudanças concretas em regras correntes e regulações que possam encorajar o aumento do uso de soluções de TI verde
-Dar suporte a agendas de mudanças para os principais setores
-Calcular o impacto dos serviços prestados
Diante do aumento de vendas de aparelhos celulares, a União Européia desenvolveu um projeto piloto de Política Produtiva Integrada da Comissão Européia (IPP) em telefonia móvel para avaliar o impacto ambiental de telefones móveis através de seu ciclo de vida. A iniciativa envolveu produtores, operadoras, organizações governamentais e grupos de interesse ambiental.
O documento final destacou medidas que incluem: um índice ambiental para celulares similar ao índice de eficiência energética para linha branca e campanhas para encorajar usuários a adotar hábitos sustentáveis, tais como desplugar carregadores de bateria e descartar de forma responsável.
Os consumidores serão beneficiados por preços mais baixos na medida em que essa reutilização significará não ter que comprar novas baterias, prevenindo o aumento do lixo eletrônico.
A organização de pesquisa de mercado Gartner estima que 1,22 bilhões de itens foram vendidos em 2008. Nesse contexto, produtores de telefone celular agora estão introduzindo novos modelos visando reduzir os impactos ambientais.
A Nokia, uma das empresas líderes no segmento, estima que se apenas 10% dos usuários de celulares do mundo desplugassem os carregadores de bateria da tomada após o uso, a energia economizada seria suficiente para abastecer 60.000 lares europeus anualmente.
No início de
O telefone usa uma tecnologia inovadora desenvolvida na Holanda que funciona com qualquer celular. Um conversor aumenta a produção de células solares para 3.7 V da bateria de íons de lítio, aumentando a eficiência do aparelho. Isso corta o custo da produção além de possibilitar que o aparelho tenha uma dimensão reduzida.
Já a Samsung lançou seu primeiro celular movido a energia solar no Congresso Mundial Mobile 2009,
Carbono-mania
Mais de dois terços (76%) das organizações já possuem estratégia de gestão de carbono ou estão planejando uma, revela o Carbon Management and Offsetting Trends Survey Report 2009 (Relatório de pesquisa das tendências em gestão e crédito de carbono).
Produzido pela companhia de offsetting de carbono EcoSecurities e pela empresa de leis relacionadas às mudanças climáticas Baker & McKenzie LLP, o documento mostra que cerca de 60% das companhias respondentes a pesquisa tem medido suas pegadas de carbono, mas a variação entre as regiões é alta: 54% das empresas norte-americanas revelaram suas pegadas de carbono comparado a 62% dos respondentes europeus e a 92% das empresas australasianas (denominação da região que inclui Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné e parte da Indonésia.
O documento revela também que com ou sem estratégias de gestão de carbono as empresas já estão tomando ações para implementar medidas de eficiência energética.
Mais de dois terços das companhias já compraram créditos de carbono ou consideram faze-lo antes de 2012. 91% citaram benefícios socioambientais como sua principal motivação, dado seguido por intenções de marketing (89%). Segundo o estudo, as companhias preferem comprar créditos de carbono em projetos de energia renovável - com as alternativas solar e eólica como favoritas. A pesquisa abrangeu 280 organizações regionais e multinacionais além de 31 companhias de carbono.
Consumidores ricos ainda estão atacando vorazmente as reservas mundiais apesar da pior recessão econômica em muito tempo, revela um documento da New Economics Foundation, uma fundação think-tank do Reino Unido.
A Nef alerta para diminuição da autossuficiência alimentar e proliferação do chamado boomerang trade, envio de bens para mercados externos e a compra de itens quase idênticos de volta.
A pesquisa também destaca a discrepância entre o consumo de energia das pessoas mais pobres do mundo e das mais ricas. Apenas 7% da população global produz 50% das emissões de gases de efeito estufa hoje. Um típico americano irá, por volta das 16 horas do dia dois de janeiro, produzir tantas emissões quanto um tanzaniano gera em um ano.
A fundação argumenta que a chegada de eletricidade pode trazer melhorias para a expectativa e qualidade de vida em países em desenvolvimento, mas quando o consumo ultrapassa certo nível, faz com que a saúde e a felicidade das pessoas parem de evoluir. A análise sugere que muitos países já passaram do ponto de saturação, chegando a um estágio de superconsumo e desperdício.
Consumidor recompensa marcas sustentáveis
O estudo Edelman Goodpurpose - Consumer Study revela que 57% dos consumidores globais recompensaram uma companhia ou marca que mantiveram o suporte a causas socioambientais durante o período de recessão. Segundo a pesquisa, feita com 6.000 pessoas em 10 países, 71% dos entrevistados acham que marcas e companhias gastam muito em propaganda e marketing e deveriam investir mais em boas causas – quase mais de 10 pontos percentuais de diferença em relação ao levantamento do ano passado. Por outro lado, 59% deles ajudariam a promover uma marca que dê suporte a uma boa causa – mais do que os 53% no último ano.
A maioria dos consumidores (83%) também se mostrou disposta a mudar hábitos com o intuito de ajudar a tornar o mundo um lugar melhor para se viver.
Brown lança Plano B 4.0 no Brasil
“Diante da ameaça representada pelo aquecimento global e o esgotamento de recursos naturais, precisamos mudar agora, em velocidade de tempos de guerra”. Esta foi uma das ideias apresentadas por Lester Brown, na palestra que realizou
Fundador do Worldwatch Institute, em 1974, e presidente do Earth Policy Institute desde 2001, Brown ficou conhecido pela série de relatórios “O Estado do Mundo” e também por ser um militante de ideias claras para os grandes desafios ambientais da humanidade. Seu Plano B para “salvar a civilização” baseia-se em quatro metas interdependentes: estabilizar o clima e a população, eliminar a pobreza e restaurar os suportes da natureza, como água, solo e ar.
A edição brasileira teve uma tiragem impressa de 10 mil exemplares que serão distribuídos gratuitamente para escolas, bibliotecas, centros de estudo e ONGs. Em caráter inédito no Brasil, e com o devido aval de Lester Brown e do Earth Policy Institute, detentor dos direitos da publicação, os conteúdos de Plano B 4.0 estão disponíveis para download gratuito no site www.bradesco.com.br/rsa.
Um ranking inaugural elaborado pela revista americana Newsweek, o Green Ranking, revela as organizações que mais contribuíram para a evolução da sustentabilidade no último ano nos Estados Unidos.
Entre os desafios destacados, está a diferenciação entre indústrias tipicamente mais poluentes do que outras - uma empresa de serviços financeiros, por exemplo, causa menos prejuízos ao meio ambiente do que a mais eficiente das mineradoras. Além disso, muitas corporações mantêm seus principais dados ambientais em sigilo, isso é, quando há dados a serem revelados. E mesmo entre companhias tenham dados verdes, não há padrão uniforme.
Por mais de um ano, a publicação trabalhou com pesquisadores para eleger um ranking das 500 maiores companhias dos EUA com base em sua performance ambiental atual, políticas e reputação. Confira abaixo as dez primeiras colocadas no ranking.