Dados sobre o setor de aviação apontam para um ano de maiores investimentos na redução de emissões
Por Ricardo Voltolini
De Madri
Você sabe quanto custa para o planeta viajar de avião? Muito, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas. O transporte aéreo internacional responde por entre 2% e 3% do conjunto das emissões de gases de efeito estufa. E em 2050 poderá chegar a 15% se nada for feito.
Este é um tema que preocupa a União Europeia nesses tempos de luta contra o aquecimento global. Na Espanha, mobiliza governos, autoridades públicas, companhias aéreas e especialistas
O controle de emissões está no radar das companhias aéreas com vôos internacionais. Até 2012, dentro do programa de redução de emissões assumido pela União Europeia, todas estão obrigadas a cortá-las em 3% em relação à média dos anos
Na Espanha, as companhias saíram à frente e já estão adotando medidas efetivas para reduzir as emissões. Uma delas é o que se convencionou chamar de “descenso contínuo”. Trata-se de um procedimento de aterrisagem cujo objetivo é diminuir a queima de combustível e, por consequência, o lançamento de CO2 na atmosfera. Utilizando essa técnica, a aproximação ao aeroporto acontece com os motores “al ralentí”, isto é, em câmara lenta, como se o aeronave estivesse planando. Em condições normais, o que os pilotos fazem é combinar movimentos de descida com outros horizontais, exigindo muita potência dos motores. No processo mais “ecológico”, eles colocam o avião em “ponto morto” a uns
Na Espanha, os descensos contínuos vêm sendo implantados entre as 23 horas e as 7 horas. Mas a intenção é ampliar para o horário normal a partir de 2011. Os próprios especialistas admitem, no entanto, que a implantação de uma técnica como esta é uma tarefa desafiadora, considerando o intenso tráfego registrado hoje nos principais aeroportos internacionais e os precavidos procedimentos de segurança de pouso e decolagem comandados pelas torres de controle. Uma prática como a do descenso contínuo pressupõe suficiente distância entre um pouso e outro, algo incomum na realidade do transporte aéreo mundial. Se já é difícil no aeroporto de Barajas, em Madri, hoje seria, por exemplo, praticamente impossível em Congonhas.
Além do descenso contínuo, as companhias estão atentas a outras medidas consideradas igualmente importantes. Encurtar rotas e otimizar vôos, assim como investir em aviões com motores mais eficientes, interessam cada vez mais as operadoras aéreas. Na avaliação dos especialistas, as empresa precisam ajustar altura e velocidade de seus vôos para reduzir queima de combustível. Repensar as escalas e conexões, descer com menos velocidade, eliminar excesso de rodagem na pista, redistribuir as cargas, diminuir as distâncias entre os aeroportos e flexibilizar regras, criando um céu europeu único, são medidas que podem contribuir em muito para baixar emissões de carbono na atmosfera.
A renovação da frota é outro ponto crucial. Os novos aviões já vêm sendo fabricados com motor menos beberrão e, portanto, mais limpo. Um Airbus 380 emite, por exemplo, entre seis e sete litros de querosene a cada
Uma das apostas dos especialistas é a pressão de um consumidor mais engajado. Hoje, ao escolher uma rota, o nível de emissões de carbono não tem sido um critério para o cliente. Mas, no Reino Unido e nos países escandinavos –tidos como os mais sujões do espaço aéreo da Europa—começa a emergir um movimento nesta direção. Há exemplos crescentes de empresas que, dentro de suas estratégias de responsabilidade social, preferem comprar passagens de companhias com rotas menos poluentes. A Organização de Aviação Civil Internacional já dispõe, em seu site, de um calculador de emissões para que os usuários, ao fazerem suas reservas, saibam exatamente quanto carbono será lançado durante o seu vôo.
O sentimento de culpa, como se sabe, pode ser um bom indutor de mudança de comportamento em tempos de valorização da ética verde.
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Ricardo Voltolini é publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade.
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